Se é a visão que nos revela a realidade, é realmente claustrofóbico pensar que estamos presos dentro de um corpo, atrás de um par de olhos, limitados a uma única vida, sem transcender a tempo e espaço. Jamais nos vemos, só vemos o próximo. O próximo jamais se vê, somente nos vê.
O início da busca pelo conhecimento - e, mesmo que inconscientemente, pela espiritualidade - mora nesse dilema. Por isso, são principalmente as religiões que tentam nos fornecer alternativas a ele. O espiritismo, por exemplo, diz que uma vida é muito pouco, e nos oferece a doutrina da reencarnação. O mormonismo sugere que a verdadeira salvação se caracteriza em virarmos deuses. Somente o cristianismo, o judaísmo, o islamismo e alguns de seus dissidentes encaram a dura realidade sem fantasiar. Mas o cristianismo é o mais coerente e motivador - até mais que o espiritismo, o mormonismo e os seus semelhantes.
O islamismo leva muitos de seus seguidores a pregarem através da força. A violência é sua arma na divulgação da mensagem de um antigo profeta. A recompensa é um paraíso - mas, para chegar até lá, ninguém encontrou a verdadeira humanidade, muito menos imaginou como é a divindade. O judaísmo está incompleto, pois se rejeita a prosseguir no plano de Deus. Baseia-se numa culpa verdadeira por pecados verdadeiros contra o Deus verdadeiro. Mas tentam se purificar baseados somente em palavras de antigos profetas, que deixaram apenas lembranças. Os judeus buscam a purificação com rituais meramente humanos. E pra isso, às vezes, têm de recorrer - ainda - a pombas e carneiros.
O cristianismo é mais enfático: a Verdade é uma Pessoa. Cristo é o Caminho e a Vida. E Ele fez um sacrifício que valeu por todos os de animais. Ele nos ensinou a mansidão. Ele prometeu que estará conosco, que o Seu Espírito moraria em nós, nos fazendo lembrar de Suas palavras. E Seu mais notável apóstolo nos incentivou a deixar esse Jesus viver em nós, crucificando nosso "eu" pecaminoso, a partir de quando vivemos para Ele.
Em consequência disso, cremos em ressurreição. Cremos em vida eterna. Cremos que temos de procurar ser pequenos "cristozinhos". Cremos que temos de anunciar a Verdade. Cremos que moraremos no Paraíso. Cremos que, nesta caminhada, Deus inspira profetas e mensageiros. Mas tudo é mais coerente, pois está fundamentado numa Rocha firme. Tudo é mais inspirador, pois temos como companheiro o santíssimo Espírito de Deus.
E então continuamos, aqui na Terra, limitados a uma vida - mas tendo a própria Vida, Jesus, vivendo em nós. Estamos presos atrás de um par de olhos - mas temos a companhia de um Espírito onipotente, onipresente, onisciente, imanente e transcendente. Passamos a ter a mente do próprio Cristo, a sermos membros do Seu corpo que foi crucificado por nós. Vivemos em comunhão, na Igreja, e com tamanha harmonia que é como se participássemos dos sentimentos dos nossos irmãos. Temos o livro sagrado, que nos traz as percepções de vida dos maiores sábios e tementes a Deus que já viveram. Vivenciamos milagres, vivemos numa dimensão sobrenatural. E o caminho para isso é - vejam só vocês - se humanizar. Sim, pois a Verdade é uma Pessoa, e essa Pessoa é a Pessoalidade. Só somos verdadeiras pessoas, só temos vida abundante, em Cristo Jesus.
Talvez isso seja difícil de entender para quem está de fora, para quem ainda não concorda, para quem não se simpatiza. Mas não se preocupe, isso é natural. Nesta situação, você se encontra distante do Espírito, do Deus que é a Verdade, a Vida e a Pessoalidade. E não é Ele quem se esconde de você, é você quem foge dEle. E de longe, Ele lhe parecerá pequeno e irreconhecível. Mas esta não é a pior parte. A pior parte é que, nesta analogia, o mesmo acontece de lá para cá, dEle para você.
Deus anseia por morar dentro de você, e partilhar dessa visão que está presa a um par de olhos, da criatura que Ele mesmo formou com tanto amor. Ele quer que vivamos nEle, Ele quer ser a nossa vida. Não há vida, não há verdade, não há transcendência, não há pessoalidade fora de Jesus. E se nos recusamos a deixá-Lo viver em nós (podemos fazê-lo, pois Ele criou o livre-arbítrio), tudo o que Ele pode fazer - com amor e tristeza - é nos olhar de longe. E se da sacada de um prédio já vemos as pessoas que passam na rua pequenas e irreconhecíveis, imagine Deus, que nos vê do Céu. Ele, que deseja estar atrás do nosso par de olhos, nos presenteando com a vida, a verdade, a pessoalidade e a transcendência, limita-se a nos ver de longe.
Claro que Ele é onipotente, onipresente e onisciente. Ele pode ver o que se passa no nosso coração e mente, e pode estar ao nosso lado. Mas Ele é uma Pessoa, que nos fez para se relacionar com Ele. E neste sentido, como é triste para Deus nos ver de longe mal podendo nos reconhecer! De longe, somos pequenos pontos num vasto Universo. Somos indistinguíveis e, se sumíssemos daqui, isso nem seria percebido por quem nos avista. Mas o amor (acompanhado - agora, sim - da onipotência, onipresença e onisciência) de Deus é tão grande que é capaz de nos reconhecer e de ver valor em nós, mesmo à distância. E se findarmos a jornada sem voltar para Ele, Ele lamentará por aquele pequeno ser que sumiu do vasto Universo sem encontrar o caminho certo.
Não seja para Deus um mero transeunte, irreconhecível e indiferente à distância. Sacie seu anseio pela transcendência em Jesus, que é a Vida, a Verdade, a Pessoalidade. Viva nEle, para que sua visão de mundo seja moldada corretamente. Escolha isso antes que chegue o dia em que - ainda preso, sem saída, num só corpo, atrás de um par de olhos - sua visão escureça e você seja escondido debaixo da terra, preso a um caixão. Não haverá paraíso, não haverá transformação em deus. A claustrofobia aumentará e você nem estará aqui para ver. Porque a saída - como é de se esperar - está fora de nós, está em outra Pessoa: está em Jesus. Aceite-O.
0 comentários:
Postar um comentário